Monday, June 26, 2017

Luís Miguel Correia: o primeiro livro, em 1988


O dia 7 de Novembro de 1988 foi especial para mim: nessa tarde decorreu o lançamento do meu primeiro livro - PILOTAGEM - SERVIR A NAVEGAÇÃO E OS PORTOS, uma história da pilotagem no porto de Lisboa.
A investigação e a produção desta obra foi uma experiência muito gratificante sob múltiplos aspectos: percorri o País a toda a costa, fiz Grandes Amigos, e a apresentação do livro, feita pelo historiador Dr. José Manuel Garcia, decorreu a bordo de um cacilheiro cedido pela TRANSTEJO, um "M" construído em São Jacinto. 

Com uma capa belíssima, foi de facto um livro especial, que na altura alguém  (presente na imagem de cima) soube apreciar e me disse ter alma de poeta. De facto, o texto é prosa toda em poesia. Foi escrito em vinte dias na minha casa de Alfama: o primeiro parágrafo demorou dez dias a ser finalizado, o resto foi feito nos outros dez.
Entretanto passaram vinte e nove anos, criei mais dezoito livros meus, participei com textos e ou imagens em mais de cem outros livros, e - esta é a parte melhor - estou a fazer mais quatro. Quatro novos livros, para assim partilhar com amigos e desconhecidos este meu Amor Maior pelos navios e o mar. Mas, tal como com alguns Amores, não há outro livro como o primeiro.
As duas fotografias da apresentação foram feitas pelo Rodrigo Bettencourt da Câmara. A da capa é minha.
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Sunday, June 25, 2017

Paquetes FUNCHAL e PORTO: os desterrados da Matinha

Cada dia que passa aumenta a degradação física dos paquetes FUNCHAL e PORTO, esquecidos na ponte-cais da Matinha. A história recente destes navios espelha a vergonha da nossa incapacidade de encarar os negócios marítimos com a dignidade que a suposta tradição portuguesa implicaria. Dois monumentos à DESMARITIMIZAÇÃO sem perspectivas de solução razoável à vista.
Quem quer os paquetes da Matinha? Estão em saldo...
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Arrastões ROAZ e ALBAMAR


Arrastões costeiros portugueses ROAZ e ALBAMAR fotografados no porto de pesca da Figueira da Foz a 26 de Maio de 2017. Curioso o facto de haver dois navios portugueses com a mesma denominação ROAZ, este e o cimenteiro da Seacarrier, de Lisboa. Registos diferentes, com o navio de comércio embandeirado na Madeira.

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SOLDADOS NO MAR

O paquete PEDRO GOMES, da Companhia Nacional de Navegação, foi um de três navios de passageiros portugueses requisitados pelo Governo em 1931, no âmbito da operação militar de repressão da revolta da Madeira, que alastrou aos Açores e ficou conhecida na época como a Guerra da Banana. O PEDRO GOMES saiu de Lisboa para o Porto Santo, de onde foi mandado seguir para a Horta com as tropas. A bordo iam diversos jornalistas, de entre os quais Norberto Lopes, do Diário de Lisboa, que numa crónica publicada a 22 de Abril de 1931 descreveu a vida a bordo de forma magistral:
«O PEDRO GOMES não é um navio, é um quartel. O poço de ré é a parada de infantaria. O poço de vante é a parada de caçadores. O bar é a câmara dos oficiais. No «deck» procede-se à limpeza de metrelhadoras. E há soldados por toda a parte. Soldados que fumam, soldados que comem, soldados que riem, soldados que cantam, soldados que enjoam.
O comando da coluna instalou-se na sala de música, entre o piano e o «jazz-band». O Estado Maior bivacou na sala de leitura. No «deck» de sotavento alinha-se uma dúzia de cadeiras de balanço, onde os convalescentes fazem tranquilamente a sua cura de repouso. Um soldado enrolou-se na manta e acocorou-se em cima de um tubo de vapor.
- Que é que tu fazes ai?  Perguntou o comandante do navio.
- Não faço mal a ninguém… Não me mande embora, meu senhor. Está tão quentinho aqui!
A temperatura realmente desceu. Em compensação o barómetro subiu. O tempo amainou. O mar está mais amável. Vultos enrolados em mantas saíem de um porão e sobem lentamente para o convez, a um fundo, como uma confraria sevilhana. É a confraria dos enjoados. Que foi autorizada a permanecer no «deck» de primeira classe, graças à piedosa intervenção do médico do destacamento, o dr. Bicudo de Medeiros. Há rapagões de Trás-os-Montes e da Beira vencidos pelo mar. Oiço-os conversar timidamente, como crianças, junto da vigia do meu camarote.
- Raio de valsa que não acaba mais!
- E o Funchal ainda é muito longe? Pergunta um do Alentejo, prolongando a última silaba da palavra «longe», como se quisesse emprestar-lhe a noção de distância. O «mê» amigo tinha-me dito que eram trinta e oito horas de viagem… Afinal já cá andamos no mar há cinco dias – e nan vejo modos de chegar ao Funchal…
- Eu cá não me incomodo, diz outro. Aqui não se passa mal.
- E a gente sempre vai correr mundo, não se paga a passagem.
- Tu já sabes para onde vamos?
- O nosso sargento disse-me que iamos p’ras ilhas dos Açores, responde um cabo de infantaria.
- É muito longe? Pergunta o 515 de caçadores.
- Temos de andar outrotanto, elucida um de metrelhadoras, que é entendido em geografia. Os Açores são umas ilhas que ficam no meio do mar e pertencem à gente.
E a conversa prossegue no mesmo tom ingénuo e pitoresco. Um diz que lhe tem custado a aguentar o mar, este declara que nunca esperou ver tanta água junta, aquele pergunta à sua maneira o que ficará para além da linha do horizonte e o outro mostra-se surpreendido porque ainda não viu sinal de «criação» à tona de água.
O clarim tocou a reunir. Fez-se a chamada.
- Falta um homem, meu tenente.
- Procurem-no por toda a parte.
Partiram soldados para todos os cantos do navio. O 471 da 1.ª não se encontra vivo nem morto. Ninguém o viu sair a «porta das armas». Não teve «licença de recolher». Nenhuma embarcação atracou ao navio. O navio não atracou a nenhum cais, Onde está o 471 da 1.ª?
- Pronto meu tenente. Estava dentro do «gasolina», aninhado junto da casinha do motor.
O mais curioso da expedição são os soldados. Um jornalista francês chamou-lhes os maiores anões do mundo. Lembro-me de que ainda escrevi qualquer coisa a protestar. Dou a mão à palmatória. O francês tinha razão. Não são apenas pequenos de estatura. Têm alma de criança, uma alma branca e ingénua enquadrada dentro de uma medalhinha que trazem ao pescoço.
- Foi minha Mãe que ma deu.
- Tu ainda tens Mãe?
- Tenho.
E os que não têm Mãe, têm uma irmã, têm uma noiva, e enquanto eles andam sobre as águas, por essas paragens que o demo sulcou, a Mãe reza, a irmã reza e a noiva também reza.
- Homem, se a gente escapa desta, tem muito que contar…
Eles talvez. Nós não…
Norberto Lopes.”
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Saturday, June 24, 2017

Os Cacilheiros da Figueira da Foz


Dos diversos tipos de criaturas marítimas nativas da foz do Tejo, hoje os Cacilheiros são seguramente os mais irrequietos, sempre em rotas de fuga de uma para a outra margem. 
Na imagem, registada a 5 de Maio de 2017 a jusante do Cais do Sodré, na antiga Ribeira Nova, vêm-se dois Cacilheiros em flagrante delito de mobilidade entre margens, o CAMPOLIDE e o DAFUNDO, que têm duas particularidades a assinalar: são ambos nascidos na Figueira da Foz, nos estaleiros da Foznave, e ambos sobreviventes da série original de oito mais quatro "Cacilhenses", construídos para modernizar a frota da Transtejo e em simultâneo dar trabalho a estaleiros nacionais em Alverca, São Jacinto e Figueira, e entrados ao serviço em 1981-1984. Curiosamente nenhum dos três estaleiros construtores se mantém de portas abertas, pois não resistiram a infecção prolongada com o terrível vírus da DESMARITIMIZAÇÃO.

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Monday, June 19, 2017

QUEEN VICTORIA post-refit in Lisbon


Mixed feelings about QUEEN VICTORIA's new post 2017 Palermo refit after photographing her very early in the morning today on the ship's first Lisbon call following modernization in Italy. New cabins have been built at the stern that now looks more square in line with near sister QUEEN ELIZABETH. More cabins, more revenue, but also a larger pool deck. 


Check this official QV video showing the new facilities on board here. Compare the VICTORIA's new look with previous posts and photographs in Ships & the Sea.

Built in Trieste by Fincantieri and delivered in 2007, the QUEEN VCTORIA original Gross Tonnage figure of 90,049 GT has just been icreased to 90.746 GT, following the Palermo refit from 5 May to 4 June 2017 when 43 new luxury cabins and suites were added. She has been sailing under the register of Bermuda since 2011. Original photos by Luís Miguel Correia at Lisbon on 19 June 2017.
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Saturday, June 17, 2017

O meu assistente...

Não sei se com todas as paranóias securitárias destes tempos modernos ainda haverá mascotes a bordo dos navios, o mais certo é não, pois já lá vão os tempos em que se navegava com os paióis a abarrotar de mantimentos, hoje a coisa é mais para a fominha em muitos navios globais. Mas aqui na sede da fábrica de livros de marinha do LMC, continuamos a antiga tradição, com o ilustre PINGUIM, de nome oficial CHICO, a exercer zelosamente o cargo de Primeiro Assistente, encarregue da gestão do património documental. 
I am not sure if pets are still found on board merchant ships these days, but at least on the head office of Luís Miguel Correia Book Productions, pets are very much in demand, with PINGUIM hard at work as LMC's First Assistant in charge of printed shipping documents.
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CRUISING THE WORLD: PUERTO CHACABUCO

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Com um dia tórrido em Lisboa, nada como recordar esta viagem aos fiordes do Chile, à Patagónia, ao Cabo Horn, às Malvinas, Argentina e Uruguay a bordo de um grande navio com todo o conforto (para os passageiros), o paquete GOLDEN PRINCESS.
Fotografias feitas a 20 de Janeiro de 2015 à chegada a Puerto Chacabuco, com uma paisagem magnífica e os Andes sempre a espreitarem na linha do horizonte.
On a very hot day in Lisbon it feels good to remember a fantastic trip to the Chilean Fjords, Patagonia, Cape Horn, the Falklands, Uruguay and Argentina on board the Princess Cruises GOLDEN PRINCESS.
Photographs taken while arriving at Puerto Chacabuco early in the morning of 20 January 2015 on a stunning scenery.
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Friday, June 16, 2017

Marinha Mercante: "Protesto de Mar"


Desde que me conheço que acompanho os assuntos ligados à Marinha Mercante Portuguesa, em resultado do que, de 1981 para cá, já publiquei centenas de artigos e duas dezenas de livros sobre os navios portugueses e a nossa marinha mercante. 
Este exercício que cedo se tornou uma paixão construtiva, é cada vez mais difícil de prosseguir, por manifesto desaparecimento do tema em si. Quarenta anos de Desmaritimização foram suficientes para reduzir os transportes marítimos portugueses a quase nada, só me resta fazer um protesto de mar, aqui, que não mo aceitam na Capitania...

As razões desta situação ignóbil são muitas e não as vou repetir agora, apenas protestar, abrindo o canhão de água à potência máxima a ver se lavo a alma e se quem de direito acorda, e percebe que Portugal precisa de navios e de transportes marítimos próprios, por razões estratégicas, de segurança, sobrevivência em situação de crise aguda e por necessidade de criação de riqueza, que tanta falta nos faz.
A incompreensão pelas temáticas marítimas é tal que hoje a opinião pública não quer nada com navios, chora-se pelo "horror" da presença de grandes (e pequenos) navios de passageiros atracados frente a Alfama por umas horas, há até quem reclame pelo "ruído" dos apitos, essa música marítima tão bela. 
Depois estamos rodeados por uma coreografia marítima e portuária de água doce, como a fotografia acima traduz, na caricatura de ponte móvel que substituiu a anterior, de 1927, ou a reconstrução sem rigor feita ao histórico "barco" ÉVORA, que faz lembrar vagamente a sua forma original, belíssima de barco do Barreiro quase iate. Nada contra o actual ÉVORA, melhor assim que ter sido desfeito como quase todos os outros, mas a nossa realidade marítima é virtual e pobre.
Neste mundo de virtualidades marítimas nacionais têm reinado toda a espécie de aprendizes de feiticeiro, que diligentemente vão deixando marcas de destruição e vazio. Um dos poucos monumentos vivos do perfeito estado de desgraça criado pela Desmaritimização e feiticeiros respectivos é o Paquete FUNCHAL, amarrado à Matinha há dois anos, que apesar de ser uma obra prima única da arquitectura naval mundial dos anos sessenta do século XX, está a morrer aos poucos a cada dia, chorando ferrugem em silêncio. 
Protesto de Mar, texto e fotografias de Luís Miguel Correia, cada vez mais impaciente face ao zero marítimo do momento. E não me venham falar de registos insulares nem de trapalhadas convencionais, que não sabem o que dizem nem o que fazem.
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Sunday, June 11, 2017

Porto de Lisboa: e o Tejo amanhece...


Os minutos que precedem a alvorada na cidade de Lisboa vistos a partir do Tejo são verdadeiramente sublimes, em especial nesta fase do ano em que o Sol nasce pelas seis da manhã quando ainda impera um silêncio que pouco depois é anulado pelos ruídos múltiplos da actividade humana e citadina.  



 A essa hora a ponte pedonal da Rocha do Conde de Óbidos está ainda aberta com sinal verde para a navegação que hoje se resume essencialmente a embarcações de recreio ou turísticas de tráfego local. Mesmo com luz verde já não há navios para entrar na Doca de Alcântara, a qual em 1957 recebeu o gigantesco VERA CRUZ por uma única vez. 
O rio espelha toda a tranquilidade de mais um nascer do dia, começa o movimento na ponte e a jusante da Torre de Belém já se distingue um grande paquete que uma hora mais tarde irá atracar a Santa Apolónia.
Os primeiros raios de sol pintam de dourado o casario de Cacilhas e o seu Pontal. Começa a dança fluvial dos Cacilheiros para o Cais do Sodré.
A navegação não pára, os navios sobem a Barra e vão emprestando vida e movimento ao Porto de Lisboa que não é nada sem a presença destas criaturas caprichosas e belas viciadas em navegações e que já aproaram mais ao Tejo do que nos dias que vão correndo. Com mais ou menos navios, com cada sol repete-se a magia marítima que Fernando Pessoa registou de forma tão magistral recorrendo ao sentido poético de Álvaro de Campos:

ODE MARÍTIMA

Sozinho, no cais deserto, a esta manhã de Verão,
Olho pró lado da barra, olho pró Indefinido,
Olho e contenta-me ver,
Pequeno, negro e claro, um paquete entrando.
Vem muito longe, nítido, clássico à sua maneira.
Deixa no ar distante atrás de si a orla vã do seu fumo.
Vem entrando, e a manhã entra com ele, e no rio,
Aqui, acolá, acorda a vida marítima,
Erguem-se velas, avançam rebocadores,
Surgem barcos pequenos detrás dos navios que estão no porto.
Há uma vaga brisa.
Mas a minh'alma está com o que vejo menos.
Com o paquete que entra,
Porque ele está com a Distância, com a Manhã,
Com o sentido marítimo desta Hora,
Com a doçura dolorosa que sobe em mim como uma náusea,
Como um começar a enjoar, mas no espírito.
Olho de longe o paquete, com uma grande independência de alma,
E dentro de mim um volante começa a girar, lentamente.
Os paquetes que entram de manhã na barra
Trazem aos meus olhos consigo
O mistério alegre e triste de quem chega e parte.
Trazem memórias de cais afastados e doutros momentos
Doutro modo da mesma humanidade noutros pontos.

Mais ODE MARÍTIMA aqui...

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Friday, June 09, 2017

Porto de Lisboa a cumprir o mito do Cais da Europa

Em 1844, quando se começou a pensar construir uma ligação ferroviária de Lisboa para a Europa, a ideia era a nossa cidade e o Porto de Lisboa tornarem-se no "Cais da Europa" e no "Cais da América", como então se dizia, atraindo para Lisboa os viajantes com destino às Américas. Era já o sonho implícito do "transhipment" que ainda hoje anima algumas almas, mas que entretanto nunca passou disso, de um sonho e de um mito.
O local de eleição para esse Cais da Europa era o sítio então conhecido por Cais dos Soldados, onde efectivamente foi construída a estação de Santa Apolónia, em terrenos parcialmente conquistados ao Tejo, e que na sua fachada Sul incluía um cais, tudo inaugurado a 1 de Maio de 1865. Ver a história da estação dos comboios aqui.
Na manhã de 7 de Junho último, ao apreciar a manobra de atracação do gigante MSC MERAVIGLIA ao novo cais de Santa Apolónia, lembrei-me do conceito do Cais da Europa e de como finalmente, ao fim de 152 anos, se poderá chamar com toda a propriedade Cais da Europa ao novo cais para navios de passageiros e ao terminal de cruzeiros em estado adiantado de construção. Muitos dos visitantes a bordo destes navios turísticos são europeus e Lisboa é um mais que perfeito Cais da Europa. Antes assim.
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O maior dos gigantes do Tejo

Nunca antes tinha entrado em Lisboa um navio de passageiros tão grande: com uma arqueação bruta de 171.589 GT, o paquete MSC MERAVIGLIA, que ontem fez a primeira escala no Tejo, no decurso do cruzeiro inaugural, é o maior paquete de sempre a vir ao porto de Lisboa. 
Apesar de os lisboetas já se terem habituado à presença de grandes navios nas águas do Tejo, as dimensões e o aspecto imponente do MSC MERAVIGLIA intimidaram positivamente os observadores mais atentos, pela relação de escala navio - cidade proporcionada pelo que desde ontem é o maior dos gigantes do Tejo.
Antes da Segunda Guerra Mundial o maior navio de passageiros a entrar a barra do Tejo foi o transatlântico italiano CONTE DI SAVOIA, de 48.502 GRT, construído em 1932, que em 1936 esteve atracado no cais da Rocha. Só em 1964 se viria a registar no Tejo a presença de navios maiores que o CONTE DI SAVOIA, com as primeiras escalas dos paquetes FRANCE, QUEEN MARY e QUEEN ELIZABETH, apresentando este 83.673 GRT, pelo que era o maior navio do mundo à época. 
Mais recentemente, destaque para a primeira escala do QUEEN MARY 2, em 2004, com 148.528 GT, entretanto ultrapassada pelas escalas posteriores dos navios de cruzeiros INDEPENDENCE OF THE SEAS (154.407 GT / construído em 2008) e NORWEGIAN EPIC (155.873 GT / 2010), cabendo agora a distinção à nova "maravilha" da MSC Cruzeiros. Fotografias inéditas de Luís Miguel Correia registadas em Lisboa a 7 de Junho de 2017.
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Tuesday, June 06, 2017

SANTA MARIA MANUELA rumo ao Norte da Europa

O SANTA MARIA MANUELA deixou Lisboa pelas 16H00 de 6 de Junho de 2017 com rumo ao Norte da Europa, onde vai participar nas habituais regatas de grandes veleiros. Fotografámos o MANUELA já a navegar no Atlântico depois de sair a Barra do Tejo.
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MSC MERAVIGLIA - Maior navio de cruzeiros a visitar Lisboa


No passado sábado, dia 3 de Junho de 2017, a mais recente unidade da frota da MSC  Cruzeiros, MSC MERAVIGLIA foi inaugurado no porto francês de Le Havre, por Sofia Loren, madrinha de todos os navios da MSC Cruzeiros. 


Com 171,598 toneladas de arqueação bruta e com capacidade para 5,714 passageiros, o MSC Meraviglia é o maior navios a ser construído por uma companhia de cruzeiros Europeia, a MSC Cruzeiros, e também o maior navio a ser entregue em 2017. Chega amanhã, 7 de Junho, a Lisboa, sendo o maior navio de passageiros que alguma vez veio ao Tejo. Atraca em Santa Apolónia pelas 7H00 e larga pelas 16H30. 

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Thursday, June 01, 2017

SANTA LIBERDADE


SANTA LIBERDADE foi o nome que o grupo de Galvão e Delgado atribuíram ao Paquete SANTA MARIA em 1961, por iniciativa própria, quando do assalto àquele navio, para uns triste episódio, para outros inspirada manifestação de resistência ao regime da época. 
Vem isto a propósito de, para mim, a liberdade ser um bem absolutamente necessário. Respiro liberdade no mesmo grau em que o mar me fascina. Desde sempre, sem que me considere livre nem veja o mar cumprido na sua dignidade de desígnio português. Não sou infeliz por isso, não me vencem a indiferença e a ignorância. Vou continuar a lutar sempre pelo que acredito mesmo que alguns me olhem como arrogante ou Velho do Restelo. 
E o que é que a Santa Liberdade tem a ver com Portugal e o nosso Mar? 
É que sem Mar não há Liberdade e sem navios, navegações e actividades marítimas não haverá nunca mais Mar Português digno das nossas capacidades e desse Desígnio Nacional hoje tão apregoado em discursos vazios por todo o lado. 
Não há Liberdade sem Mar porque uma economia sem Mar digno das nossas necessidades é uma economia dependente numa área fundamental para que o desenvolvimento deixe de ser uma frase de recurso tão hipócrita como tantas outras feitas mais de propagandas sectoriais e de oportunismos, do que de verdades incómodas. 
E já agora, para terminar esta dissertação libertária e marítima, a aventura de Galvão e Delgado teve um custo importante: Dezasseis Mil contos, foi quanto custou o desvio. Era muiiiito dinheiro em 1961,
Quem pagou a conta? 
A Companhia Colonial de Navegação, pois em 1961 como agora, os Armadores pagavam as contas todas. Só que hoje quase não há armadores e os que teimaram em continuar a ter navios a navegar fugiram daqui, para paraísos, provavelmente sem dezenas de virgens, mas sem físcos gananciosos. 
A título de reparo dessa injustiça, pois ninguém agradeceu este sacrifício da CCN, e inspirado na recente promoção do Aeroporto de Lisboa a Aeroporto Roberto Delgado, proponho que a Gare Marítima de Alcântara se passe a chamar Gare Marítima Bernardino Corrêa.
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Wednesday, May 31, 2017

Cruise ships FUNCHAL and PORTO: The sad beauty of slow decay


FUNCHAL and PORTO are two Portuguese classic small cruise ships that nobody seems to be interested in. Following extensive refits in 2013 after their purchase by Portuscale Cruises, only FUNCHAL cruised on two short seasons. PORTO never cruised under her present name. She is in her fourth year of lay up in Lisbon. FUNCHAL saw her final passengers disembark on 2nd January 2015. The Portuscale company went bankrupt in mid 2015 and the ships have been under receivership protection since then. Both have been on the sales lists, the asking prices getting smaller and smaller until the present situation on the verge of scrapping value. But so far nobody wants them, no serious offers acceptable by the sellers.

As time goes by, on the Lisbon waterfront, not in Casablanca, FUNCHAL and PORTO show the sad beauty of slow decay. Nobody cares. FUNCHAL and PORTO are ships from another time, a time of proud true national flagships long lost. FUNCHAL was one of the most beautiful passenger ships purpose built for Portuguese interests, while PORTO was built in Yogoslavia in 1964-1965 as their ISTRA, a small Mediterranean liner used mostly for international cruising with her sister DALMACIJA. Both are survivers from another time when ships were the most beautiful creatures on the seas.
Who wants FUNCHAL and PORTO? They are not going to continue on this limbo between lay up and the lack of perspectives. Both should be kept in service for a few more years. There are no others like the sad Matinha laid up passenger ships...
Original photographs by Luís Miguel Correia taken on 31st May 2017

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Monday, May 29, 2017

MAR de Pedrógão



Mar atlântico, forte e solitário a anoitecer na praia de Pedrogão. Sorvo a música das ondas e a espuma desse mar irrequieto que na minha imaginação vai desenhando queridos rostos perdidos, vá lá saber-se como. Mar eterno de energia e movimento em turbilhão de saudades inconfessadas, cinzento azul esverdeadas numa penumbra de esperança distante. E não há ninguém na praia de Pedrógão para lá desse mar de saudade.
Imagem registada por L. M. Correia a 26 de Maio de 2017. Texto e imagens /Text and images copyright L.M.Correia. Favor não piratear. Respeite o meu trabalho, se descarregar imagens para uso pessoal sugere-se que contribua para a manutenção deste espaço fazendo um donativo via Paypal, sugerindo-se €1,00 por imagem retirada. Utilização comercial ou para fins lucrativos não permitida (ver coluna ao lado) / No piracy, please. If photos are downloaded for personal use we suggest that a small contribution via Paypal (€1,00 per image or more). Photos downloaded for commercial or other profit making uses are not allowed. For other posts and images, check our archive at the right column of the main page. Click on the photos to see them enlarged. Thanks for your visit and comments. Luís Miguel Correia 

Tanker BAHIA TRES


The Spanish coastal tanker BAHIA TRES leaving the river Tagus bar on 27 May 2017. She has been used under charter to the Petrogal Group as a bunkering barge in Lisbon.

Navio tanque espanhol BAHIA TRES, um verdadeiro patinho feio dos mares, a sair a barra do Tejo na manhã de 27 de Maio de 2017. Este navio é uma das unidades utilizadas pela GALP no serviço de bancas à navegação no Tejo. Na minha perspectiva vejo aqui uma certidão de indigência marítima, no que toca à Marinha Mercante portuguesa, sem navios para praticamente nada.
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Patrulha LUIGI DATTILO em Lisboa

O navio patrulha (OPV) da Guarda Costeira italiana CP 940 LUIGI DATTILO entrou pela primeira vez em Lisboa a 27 de Maio de 2017 para uma visita que se prolonga até 4 de Junho, tendo atracado ao cais da Rocha do Conde de Óbidos.
O LUIGI DATTILO é o primeiro de dois navios idênticos construídos em 2012-13 nos estaleiros Fincantieri podendo-se ler mais sobre esta unidade aqui.
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